Multimilionário nas visualizações do youtube, Pierre Zago leva às lágrimas até o mais sério dos espectadores com as suas caricatas reportagens e ‘zapanhados’. 

Do outro lado da lente, sabemos que Pierre é, sobretudo, uma pessoa curiosa, sensível e determinada, cuja criatividade e humor estão espelhados no seu olhar, sempre vivaço e sincero.

Conhecemos o Pierre quando visitou a CRU, enquanto potencial interessado no nosso espaço de cowork. É escusado dizer que, quando se tornou um dos nossos cru-workers, os seus vídeos rapidamente se tornaram tema de conversa e revisita.

Desde então, fomos sabendo mais sobre o seu processo criativo, que passa por anotar, manual e detalhadamente em cadernos, as inúmeras ideias que se acumulam muito mais velozmente que a sua capacidade para lhes dar vida. 

Num dos nossos eventos ‘CRU Sobre a Mesa’, em Outubro de 2019, contou-nos ainda mais sobre as suas origens e o seu percurso.

Pierre tem 33 anos, é luso-francês, nascido em Lisboa, viveu em Paris e, depois, em Braga. Veio para o Porto estudar, tendo passado pelas Belas Artes, mas foi no Politécnico do Porto que se inclinou para o Audiovisual, tendo sido essa formação académica que lhe incutiu o gosto pela fotografia e pelo cinema. 

Começou por fazer curtas-metragens, depois pequenas entrevistas de rua, acabando por encontrar no formato do ‘apanhado’ o seu registo predilecto.

Alguns dos vídeos do seu canal têm mais de 1 milhão de visualizações, como é o caso do ‘Sinceramente’, do ‘Tou só a ver’ ou o ‘Que foleiro’, e as suas expressões têm-se tornado ditos populares entre os seus seguidores.

Diz-nos como começou o teu canal de youtube
Surgiu da minha vontade de fazer filmes de forma independente. Antes de lançar o meu canal Youtube, realizei algumas curtas-metragens e ponderei dar continuidade a esse percurso, mas rapidamente percebi que toda a logística do cinema não era para mim pois dependes de imensas pessoas, equipamentos, financiamentos, etc. Da ideia de um filme até à sua concretização é todo um processo super longo e eu tinha vontade de concretizar as minhas ideias num espírito “do it yourself”, sem depender da aprovação de um senhor X ou Y. E quando descobri que era possível viver através do youtube, criando os meus próprios conteúdos, fez-se “plim”! Agora lembrei-me daquela: pim po ne ta pitá pitá pituxa plim!

Trabalho e conhaque…como doseias o teu cocktail?
Tendo o privilégio de ter um agente que gere a minha carreira, uma secretária que trata das papeladas e uma equipa criativa que faz tudo o resto, é muito fácil… Hmm ok ok, para responder mais seriamente: acho que até sou um tipo bastante organizado. Gosto de planear bem o meu trabalho e projectar as coisas no futuro.

De onde vem a tua inspiração para criares os teus vídeos?
Não é do conhaque que não sou grande fã dessa bebida. Descobri recentemente umas vodcas polacas deliciosas: chamam-se Soplica. São umas vodcas licorosas com vários sabores. Há de avelã, de figo, de mirtilo, etc. Encontram-se numa lojinha de produtos eslavos em frente ao Bingo na Trindade. De resto, é só estar atento, tudo pode servir de inspiração.

E a ti, quem te faz rir?
Sei lá, tanta coisa… acho que tudo pode ser cómico se optarmos por essa perspectiva. Estou agora a ver a senhora do correio a passar lá em baixo na rua, muito pequenininha e magrinha, ela faz-me rir com o seu passo super apressado e curto e o seu boné que é demasiado largo para a sua cabecinha de formiguinha trabalhadora.

Que formas encontras de fazer chegar o teu trabalho aos ecrãs dos teus seguidores?
A minha forma de promover o meu trabalho é única e exclusivamente através do conteúdo em si. Se o conteúdo for bom e fresco, as pessoas vão querer vê-lo e partilhá-lo naturalmente. Nunca pensei em estratégias de marketing nem nunca paguei 1 cêntimo para publicitar o meu trabalho. Ou será que sou um grande forreta… ?

Proteges a tua criatividade?
Catch me if you can.

Como descreverias a tua equipa de sonho?
A minha equipa de sonho seria alinhada num 4x3x3 com pressing ofensivo. 4 cameramans, 3 editores de vídeo e 3 actores adjuvantes.

Como é que o freelancing te tem tratado até agora?
Muito bem. Ser o meu próprio patrão e dono do meu tempo… não troco isto por nada! Uma vez ultrapassado o cabo das tormentas da precariedade e da massa com atum, vale a pena!

Uma vida na escola ou a escola da vida?
Há um ditado francês que diz “C’est en forgeant que l’on devient forgeron”, traduzindo: É forjando o ferro que nos tornamos ferreiros.
Também gosto muito daquele “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Mas neste caso não se aplica lá muito, lembrei-me só.

Tens algum motto ou mantra que recordas em períodos mais desafiantes?
A vida para mim vive-se um dia de cada vez. Aliás… dois! Dois dias de cada vez: um para o deboche, o outro para a ressaca.

O CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: Pierre Zago

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