Wayz for Life é a forma de estar na vida que Pedro Maçana escolheu após uma consolidada carreira dentro e fora de solo nacional. 

Inicialmente, licenciado em Gestão pela FEP e com 42 anos, o criador desta marca de sapatilhas identificou a oportunidade de fazer a diferença assente em princípios de sustentabilidade ecológica, ambiental e social, através de um design intemporal, de materiais ecológicos de qualidade, e de produção local.

Foi precisamente no curso de Design de Calçado da Lisbon School of Design, no qual ingressou em 2018, que Pedro conheceu o seu actual sócio (e designer das sapatilhas) Daniel Gonçalves. Seguindo o próprio mote “Walk your Way”, criaram juntos a Wayz, uma marca de sneakers sustentável e socialmente responsável, totalmente produzida no Porto.

A Wayz, lançada em Dezembro de 2019 após uma campanha de crowdfunding na Indiegogo, praticamente não conheceu o mundo (ou o mercado) em época não pandémica. Não obstante, o caminho continua a ser pisado com passos determinados em direcção ao resto da Europa e, no prelo, está o lançamento de um produto feito com 100% de materiais reciclados e vegan.

 

Desde Março de 2020 que a Wayz faz parte da criteriosa selecção de marcas sustentáveis da CRU. Sobre o Pedro, sublinhamos o seu profissionalismo, coragem e o seu positivismo contagiante.

As sapatilhas mais fixes do país podem ser encontradas na loja física e online da marca, bem como na loja física e online da CRU, naturalmente.

O que é que te levou a criar a Wayz?

A criação da Wayz nasce de uma viagem pessoal, que me trouxe de volta ao Porto, depois de 18 anos a trabalhar numa multinacional de retalho em Espanha, Portugal e França. Uma mudança de vida que criou a oportunidade de lançar este projeto, aliada a uma paixão por sapatos e à vontade de criar uma marca de sneakers 100% portuguesa e responsável: Sneakers with a Humanistic Footprint.

Revela-nos o que costumas ter em cima da tua secretária de trabalho, num dia perfeitamente normal

Sou um pouco nómada nos meus hábitos de trabalho. Tenho várias mesas e locais de trabalho. Com a pandemia este hábito acentuou-se. Quando tenho uma secretária, normalmente há pouca coisa: o computador, claro, o meu caderno de notas, um copo de água ou um cantil. Quanto menos coisas melhor.

Diz-nos o teu top5 de marcas sustentáveis. Que mais é que elas têm em comum?

No mundo dos sapatos há duas marcas que me inspiram, a Veja, marca de sneakers francesa e a Red Wing Shoes, uma marca de “botas de trabalho” americana. Na Veja aprecio a forma sustentada e orgânica como dois jovens criaram um marca de sapatilhas, com valores, responsabilidade, sustentabilidade, criando uma rede de parceiros e redistribuindo valor pelos vários intervenientes. E o produto, claro, sobretudo o design intemporal. 

Na Red Wing, adoro a qualidade e intemporalidade do produto (design com décadas) e o facto de podermos reparar as botas, mudar as solas, e dar-lhes nova vida. A verdadeira sustentabilidade está no design (intemporal) e qualidade/durabilidade do produto.

Pelas mesmas razões, gosto da La Paz e da Isto, marcas portuguesas de roupa. Saindo do mundo da moda, gosto muito da marca de bicicletas dobráveis Brompton, um produto incrível, pensado e concebido para as movimentações na cidade, com uma estética/ funcionalidade inconfundíveis.

Que formas encontras de activar a tua marca e de fazer chegar os Wayz aos pés dos teus clientes?

Usamos muito redes sociais, Instagram sobretudo, mas também o Facebook e o Linkedin. Neste último caso, mais para falar sobre a evolução da Wayz enquanto marca e das diversas iniciativas em que participamos. Além disso, estamos presentes em eventos (Moda Lisboa, GreenFest, Planetiers, etc) ligados à sustentabilidade/consumo consciente e, sempre que possível, também nos media (imprensa, tv, etc).

Copyrights, royaties, desenhos, patentes, marcas… navegas normalmente nestas águas?

Tudo isso é de uma grande complexidade… assim que chegámos ao nome Wayz e ao logotipo, decidimos registar a marca a nível europeu. Ainda não tínhamos nenhum modelo desenhado ou produzido, mas sabíamos que era importante proteger-nos. Apesar disso, não nos livramos de umas ameaças e de uns valentes sustos, que só foram resolvidos recorrendo a um gabinete de protecção de marcas e patentes. É um assunto muito delicado que não deve ser esquecido quando se está a lançar um projecto/marca.

Que muletas tecnológicas usas para dominar ou simplificar o teu dia-a-dia?

Sou muito básico com a tecnologia. Para mim tem que ser fácil de usar e criar valor imediato. Sendo assim limito-me a usar o Shopify, para gerir e dinamizar a nossa loja online. As redes sociais, já referidas, para comunicar com a nossa comunidade, e o chat, para comunicar com os nossos clientes. O Daniel, que fundou comigo a Wayz e é o designer dos nossos produtos, não prescinde do Adobe Illustrator e do Photoshop, e de software de desenho para criar e ilustrar os nossos Wayz!

Como é para ti ser empreendedor no Porto / em Portugal?

Ou se faz com paixão, resiliência e alguma dose de loucura, ou então não vale a pena. Costumo dizer que a viagem é dura, mas vale a pena.

E penso que isto é universal. Acho que não é diferente por estarmos no Porto, ou em Portugal.  A nossa localização geográfica traz-nos vantagens, temos as fábricas ao virar da esquina e um bom know-how na indústria em geral. Mas também temos inconvenientes, o acesso ao consumidor é mais difícil dada a pequena dimensão e fraco poder de compra do nosso mercado interno. 

Noutros países será diferente, temos que saber viver com esta realidade, adaptar-nos para fazer bem e sempre melhor

O que está, para a Wayz, a seguir à próxima curva?

A Wayz tem que crescer enquanto marca, ganhar notoriedade a nível nacional e internacional. Queremos entrar em vários marketplaces digitais, em diversos países europeus. Queremos também entrar no mercado B2B, de retalho.

A nível de produto, o próximo passo será o lançamento de um produto feito com 100% de materiais reciclados e vegan.

Wayz for life… quem faz este percurso, passo a passo, contigo?

A Wayz foi criada por mim e pelo Daniel Gonçalves e tem sido sobretudo uma viagem a dois, na qual fomos conhecendo e convidando parceiros para trabalhar, pontualmente ou de forma regular, connosco e fazer crescer o projeto. Desde logo os nossos parceiros no desenvolvimento do produto, fábricas, fornecedores de materiais, etc, mas também marketplaces e lojas, como a CRU, que nos ajudam a chegar aos clientes e divulgar a marca, ou outras comunidades, como a UPTEC, que foi fundamental no lançamento do projeto.

Nada se faz sozinho, acredito profundamente na colaboração e na interdependência. Costuma-se dizer, sozinhos vamos mais rápido mas juntos vamos mais longe!

Que diferenças encontras no universo do consumo sustentável na era pós-covid?

A pandemia quebrou o nosso crescimento enquanto marca. Quase não sabemos o que é ter uma marca em tempos normais porque a Wayz nasceu em final de 2019!

Na forma de trabalhar, adaptámo-nos, como todos. Adiámos alguns projetos e privilegiámos outros. Em relação aos nossos produtos, nada mudou. Aquilo em que acreditávamos antes, ainda faz mais sentido durante e no pós pandemia: um produto de grande qualidade, feito de forma ética e responsável, localmente, com um design intemporal, versátil, sem género e sazonalidade, vendido a um preço justo. São atributos relevantes que vão conquistar clientes portugueses e internacionais interessados em criar um mundo melhor, em que produzimos, consumimos e gerimos empresas de forma responsável e agregadora.

O CRU Spotlight é um rubrica de pequenas entrevistas a pessoas da comunidade CRU, com foco em aspectos da sua vida profissional como independentes no sector das Indústrias Criativas.

Texto: Tânia Santos Edição: Rossana Fonseca Fotografias: cortesia Pedro Maçana / Wayz

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