Ana Lúcia Pinto e Rita Bastos apresentam o início de um projecto fotográfico que se desenrola através de dois gestos e dois espaços distintos da fotografia. Uma na proximidade do toque daquilo que é um corpo e a sua gestualidade, a outra no limiar da abrangência do espaço ao redor.

«Fixam-se nos registos fotográficos fazeres e espaços do artesanato para os quais [são convocados] os seus processos, vocabulários e reflexões, (re)apresentando espaços e ações através de diálogos visuais estabelecidos entre os dois olhares».

«Neste projecto articulam-se duas abordagens autorais construídas em redor do artesanato português. O artesanato dentro do seu quotidiano, os materiais dos artefactos e os procedimentos dos fazeres fazem parte do corpo do qual [se parte] registando, através da fotografia, enquanto substância (poética) e veículo de memória(s), num processo inicial comum de registo espácio-temporal simultâneo, as atividades dos artesãos nos seus lugares de ação/realização».

As duas autoras afirmam não entender este projecto, do qual provém esta série de imagens fotográficas, como documental; afirmando, ao mesmo tempo, um olhar duplo que se adensa, não por um processo de embelezamento daquilo que é o artesanato, mas pelo encontro de dois olhares que se vêem despidos, um perante o outro.

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